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01/07/2017

as palavras passam no cérebro sempre mais rápido que as sinto, assim como as imagens vêm sempre horas mais cedo que aquilo que as liga.
tenho medo da areia movediça que me puxa todos os dias.

06/02/2017

enquanto uma papoila desabrocha num canto do mundo, há outro local onde me caem as roupas, despindo-me para ti.
tenho medo de me despir todos os dias na constante possibilidade de me lembrar de onde estou. aquele medo diário que tenho em confundir o ventre...
quero muito, mesmo muito, atirar-me de uma janela e senti-la a partir-se atrás de mim, à minha frente, rasgando a minha pele, e assim sentir outra vez a dor como uma coisa nova. a dor que nos consome toda a vida e nunca volta a ser boa. nunca.
nunca nunca nunca nunca nunca nunca
n
u
n
c
a
[...]
o amor e a raiva estão tão perto, neste quarto pequeno feito de casulo onde me deito todas as noites, e de onde saio sempre a mesma lagarta sem saber como subir ao céu sem as nuvens negras.
amei-te tanto.