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17/11/2013

cheia

os braços que me amarram 
e arrastam pela areia 
são mais fracos que eu.

levam-me por um habitat incógnito, 
uma viagem incógnita, 
onde o céu e o chão são um só, 
e as nuvens acabam por levedar.

cheia de nada e à procura de tudo 
deixo-me 
de mim própria 
na ânsia da procura

à prova de bala, 
frágil para os ventos, 
voo 
para lá das escolhas e dos enigmas 
e entrego-me ao horizonte

e na inquietação
de te querer sem saber ainda se quero
e sabendo que não me queres a mim
pois há demasiada conexão, 
que não evita o desejo (só o teu)

continuo a procurar de ti
pedaços
de uma memória que ainda não veio
mas que precisa de nascer como eu,
agora,
começo a nascer em ti.