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26/08/2015

ele sabia-a poética, deitada na cama com os pés descobertos dos lençóis. tal canção em francês emoldurava os seus cabelos. 
ao caminhar, para seu infortúnio, ele deixara cair a conexão com o mundo. deitaram-se ao lado um do outro, em tons de amarelo e vermelho; o momento veste-se do som circundante d'uma má e rouca coluna vertendo melodias repetidas.
parados, envoltos num momento fotográfico - ela recebe subtis carícias que sustêm a gravidade por cima das suas costas, e sem dizer uma palavra, escuta a boca dele sugando breves pedaços de um cigarro de filtro em cartão, distribuindo os sinais de fumo pelo quarto vazio de vozes. era capaz de descrever só pelo som dos lábios, a complexa invenção que é aquele ser humano, que fuma porque precisa de fumar e porque conversa porque precisa de conversar. 
e no peito magro (embora de uma simbólica força) distribui estas cinzas à falta de cinzeiro perto. ele é a sua própria desarrumação arrumada.