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20/12/2016

janela

que janela tão quente.
que janela tão quente se abre diante dos meus cabelos: o vento abraça-me os olhos.
sinto falta da solidão. tenho medo dela mas faz-me falta. saber ser só eu. já me esqueci outra vez de ser só eu. de me despir e deitar-me no chão com a roupa à minha volta. de beber algo quente e não me preocupar em sentir mais sabores a partir daí.

de deixar as janelas abertas e permitir ao sol e ao vento que lutem por um lugar na minha pele.

quero fugir.
deixar de ser alguém.
deixar de precisar dos outros.

quero trepar as montanhas mais altas para descobrir que há sempre mais para subir.
- mergulhar nas ondas com a roupa vestida.